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DF não cumpre meta de crianças em creches após dez anos do Marco Legal da Primeira Infância

Centro de Educação da Primeira Infância em Samambaia, no Distrito Federal Agência Brasília/Tony Winston Neste ano, o Marco Legal da Primeira Infância, ela...

DF não cumpre meta de crianças em creches após dez anos do Marco Legal da Primeira Infância
DF não cumpre meta de crianças em creches após dez anos do Marco Legal da Primeira Infância (Foto: Reprodução)

Centro de Educação da Primeira Infância em Samambaia, no Distrito Federal Agência Brasília/Tony Winston Neste ano, o Marco Legal da Primeira Infância, elaborado pelo governo federal, completou 10 anos. A missão é proteger os direitos das crianças brasileiras de até 6 anos. Dados recentes mostram que, no Distrito Federal, um dos direitos que ainda precisa avançar é o da educação. Segundo a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua do IBGE, feita em 2024, apenas 38,6% das crianças de 0 a 3 anos estão matriculadas em creches. A meta era que essa taxa chegasse a 60% em 2024, segundo Plano Distrital de Educação (PDE). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. O g1 entrou em contato com a Secretaria de Educação do DF, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem. Gráfico da taxa de atendimento de crianças de 0 a 3 anos na Educação Infantil por UF (2024) Reprodução/ Todos Pela Educação. O Marco Legal de 2016 definiu a educação infantil como uma das áreas prioritárias para as políticas públicas voltadas à primeira infância e reforçou o compromisso estabelecido pelo Plano Nacional de Educação (PNE) dois anos antes: ampliar a oferta de creches para atender, no mínimo, 50% das crianças de até 3 anos até o final de sua vigência, em 2024. No DF, o Plano Distrital de Educação (PDE) elevou a meta nacional para atender no mínimo 60% dessas crianças, no mesmo período. Esse objetivo foi estipulado como Meta 1 do PDE. Entretanto, os dados coletados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad-C) dois anos atrás indicam que a região ainda está quase 20 pontos percentuais abaixo dessa meta. A psicopedagoga Aline Brito explica que não ter acesso à educação básica nessa idade causa prejuízos ao desenvolvimento das crianças. Dentre os déficits, ela destaca maior dificuldade em: sustentar a atenção; participar de atividades coletivas; lidar com frustrações; comunicar ideias; e acompanhar a rotina da sala. "Nos primeiros anos de vida, o cérebro estabelece conexões em uma velocidade impressionante. É nesse período que a criança desenvolve linguagem, aprende a se relacionar, amplia repertório, constrói autonomia e começa a compreender o mundo à sua volta", afirma a especialista. O problema é maior para pessoas de menor renda  Creches no DF: mesmo com vagas, crianças ficam fora do sistema A ausência de vagas públicas suficientes não pesa igual para todas as famílias do DF. A Síntese de Indicadores Sociais 2024, publicada pelo IBGE, revela que o Distrito Federal e o Rio de Janeiro lideram o país em dependência da rede privada: 38,3% das matrículas de crianças de 0 a 3 anos estão em instituições privadas. Na prática, isso significa que acesso à creche no DF é, em grande medida, uma questão de renda. Quem pode pagar, encontra vaga. Quem não pode, enfrenta a fila da rede pública — que é de 4,5 mil crianças, segundo dados da Secretaria de Educação divulgados em janeiro deste ano. A psicopedagoga Aline Brito aponta a dimensão desse desequilíbrio. "Quando duas crianças chegam juntas ao ensino fundamental, mas apenas uma teve acesso a essas oportunidades nos primeiros anos, elas não estão começando exatamente do mesmo lugar. E a escola sente isso", afirma. "Muitas vezes, a criança que teve menos acesso precisa primeiro construir bases que deveriam ter sido fortalecidas anteriormente para depois avançar em aprendizagens mais formais", acrescenta. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

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