Especialista aponta riscos em tratamentos 'milagrosos' contra queda de cabelo; professora morreu após injeção no DF
Morte após injeção para tratamento de cabelo A morte de uma professora de 50 anos no Distrito Federal, após uma injeção no glúteo contra queda de cabelo, chamou...
Morte após injeção para tratamento de cabelo
A morte de uma professora de 50 anos no Distrito Federal, após uma injeção no glúteo contra queda de cabelo, chamou atenção para um risco recorrente: procedimentos vendidos como "solução" para problemas de saúde por profissionais não credenciados.
Lidiane Gomes passou mal horas depois de receber uma injeção em um salão de beleza em Ceilândia, no Distrito Federal.
A Polícia Civil ainda aguarda os laudos que vão apontar a causa da morte e analisar as substâncias apreendidas no local.
Segundo o delegado Petter Ranquetat, responsável pelo caso, uma das hipóteses investigadas é uma reação ao produto aplicado.
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O médico e tricologista Luciano Barsanti, presidente da Sociedade Brasileira de Tricologia, afirma que pacientes com queda de cabelo muitas vezes acabam sendo atraídos por informações divulgadas nas redes sociais sem respaldo científico.
Segundo ele, a queda dos fios precisa ser investigada por um especialista antes de qualquer tratamento.
A queixa é comum entre homens e mulheres e pode ter diferentes causas. Segundo o especialista, o problema é que muitas pessoas, principalmente quando estão desesperadas com a perda dos fios, acabam recorrendo a tratamentos divulgados nas redes sociais.
“Essas informações, na grande maioria das vezes, não são verídicas ou não têm qualquer significado científico ou técnico”, afirma.
Uso de vitaminas
No caso de Lidiane, a suposta profissional ofereceu uma aplicação de vitaminas para tratar a queda de cabelo.
➡️ Valéria Rodrigues de Sousa, no entanto, não tem registro profissional, segundo o Conselho Federal de Biomedicina (CFBM). Além disso, a Secretaria de Saúde informou que o endereço onde funcionava o salão não tinha licença sanitária nem cadastro na Vigilância Sanitária.
Barsanti afirma que vitaminas e sais minerais podem fazer parte do tratamento quando há deficiência comprovada por exames.
"Deve haver um exame mostrando que há deficiência de vitaminas. Se não houver um exame laboratorial mostrando que há deficiência de vitaminas, a vitamina não deve ser usada e não tem função nenhuma."
No caso da calvície genética, por exemplo, Barsanti afirma que a suplementação de vitaminas não é indicada para tratar a doença. E o uso sem indicação não é apenas inútil, segundo o especialista — pode também fazer mal.
“A expressão ‘se não vai fazer bem, mal não fará’ não é verdadeira, porque existem situações de excesso de vitaminas e sais minerais que podem levar inclusive à morte”, diz.
Ele cita o ferro como exemplo de substância que, em excesso, pode provocar problemas graves. A biotina, também usada em produtos e tratamentos relacionados ao cabelo, pode causar efeitos adversos quando consumida de forma indiscriminada.
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Procedimentos com agulha
Barsanti também faz um alerta sobre procedimentos invasivos vendidos como tratamentos para queda de cabelo.
Segundo ele, a Sociedade Brasileira de Tricologia recebe denúncias frequentes sobre profissionais que utilizam técnicas como o PRP (plasma rico em plaquetas), procedimento que, segundo Barsanti, não tem indicação para crescimento capilar.
“Devemos tomar muito cuidado com essas pseudotecnologias. O interesse é absolutamente comercial”, afirma.
O médico diz que o paciente deve desconfiar de tratamentos apresentados nas redes sociais como soluções rápidas para recuperar os cabelos.
Mulher morre após tomar injeção para queda de cabelo no DF
Globo/Reprodução
A orientação é procurar um profissional especializado, conferir o registro e buscar referências que não estejam apenas nas redes sociais.
"Você que está perdendo cabelo, que está desesperado com essa queda, por favor, procure seu médico tricologista. Tenha uma orientação médica."
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