Ex-PM em situação de rua é preso por agredir e ameaçar companheira com deficiência intelectual no DF
Fachada do Departamento de Polícia Especializada (DPE) da Polícia Civil do DF Geovana Albuquerque/GDF/Divulgação A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu nes...
Fachada do Departamento de Polícia Especializada (DPE) da Polícia Civil do DF
Geovana Albuquerque/GDF/Divulgação
A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu nesta terça-feira (27) um homem de 46 anos suspeito de cometer violência doméstica contra a parceira — uma mulher de 56 anos, que tem deficiência intelectual e já tinha medida protetiva contra ele — e por ameaçar a mãe dela, de 83.
O caso é investigado pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação (Decrin). Segundo a PCDF, o suspeito é ex-policial militar de Mato Grosso e foi expulso da corporação por comportamentos agressivos.
Segundo depoimentos incluídos no processo, a mulher se relaciona "há anos" com o homem, que, deixou o presídio neste mês e estava vivendo em situação de rua. A ocorrência mais recente foi registrada pela mãe da vítima.
A família conseguiu na Justiça a interdição da vítima e uma medida protetiva para ela em relação ao suspeito. Dias após ser colocado em liberdade, no entanto, o homem voltou a procurá-la, descumprindo a ordem judicial.
No pedido de prisão preventiva, enviado à Justiça do DF e obtido pelo g1, a Polícia Civil afirma que a vítima já foi agredida anteriormente. E que, em um dos episódios, o homem chegou a quebrar a boca dela.
O relatório aponta, ainda, que o homem:
ameaçou a mãe e curadora da vítima, hoje com 83 anos, dizendo que a mataria assim que fosse colocado em liberdade;
manipulava a vítima para que ela participasse de infrações e usasse o cartão-benefício que recebe para fazer compras e transferências para ele;
costumava agredir a família da mulher, atear fogo em veículos e danificar as portarias dos prédios onde a família morava.
Em decisão, juiz aponta histórico de episódios de violência registrados em anos anteriores contra a vítima.
g1/DF
O histórico descrito pela Polícia Civil inclui episódios de violência registrados em anos anteriores. Em 2020, segundo relato da mãe, o homem fez ameaças por telefone e disse que mataria a filha e colocaria fogo no apartamento.
Em 2022, ele teria tentado entrar no condomínio da família, quebrado a portaria e arremessado uma garrafa contra a fachada de vidro.
A prisão foi autorizada pela 2ª Vara Criminal de Águas Claras e cumprida na mesma região, próximo à estação Concessionária do Metrô-DF. A Justiça acatou o argumento de que a medida seria necessária para evitar a "prática reiterada de crime".
No Distrito Federal, o suspeito aparece em 17 inquéritos e seis termos circunstanciados, por ocorrências de furto, tráfico de drogas e crimes previstos na Lei Maria da Penha. Há, ainda, registros policiais contra ele no Mato Grosso, também por violência doméstica.
Unidades de saúde do DF registram, em média, 13 casos de violência doméstica por dia
Vítima reconheceu 'relacionamento' com agressor
A mulher de 56 anos também foi ouvida pela Polícia Civil. No depoimento, ela disse que vinha se encontrando com o homem desde que ele deixou a prisão, e que ele seria seu "companheiro".
Ela também reconheceu ter sido agredida diversas vezes pelo "companheiro" – mas disse que ele agora estava "tranquilo" e não estava usando drogas. E que, por isso, não gostaria de pedir medidas protetivas contra ele.
Segundo a investigação, a mulher está sob curatela definitiva e tem deficiência intelectual. A Polícia Civil aponta que o homem a induzia a fazer compras e saques com o benefício bancário recebido por ela.
A mãe e a irmã da vítima relataram à polícia ter medo do suspeito. De acordo com os depoimentos, ele costuma ficar agressivo com os familiares quando a mulher tenta terminar o relacionamento. A mãe também disse ter medo de atender ao telefone e de sair de casa por causa das ameaças.
Ao pedir a prisão preventiva, a Polícia Civil argumentou que havia risco concreto de novas agressões e que a medida era necessária para proteger a mulher e os familiares.
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