cover
Tocando Agora:

MP arquivou denúncia de assédio na Papuda por ver 'relação cordial' em mensagens; ex-diretor só virou réu após recurso da vítima

Mayk Steve Richter Nobre, ex-diretor da Penitenciária do Distrito Federal IV, virou réu por assédio sexual e moral contra uma policial penal subordinada. Red...

MP arquivou denúncia de assédio na Papuda por ver 'relação cordial' em mensagens; ex-diretor só virou réu após recurso da vítima
MP arquivou denúncia de assédio na Papuda por ver 'relação cordial' em mensagens; ex-diretor só virou réu após recurso da vítima (Foto: Reprodução)

Mayk Steve Richter Nobre, ex-diretor da Penitenciária do Distrito Federal IV, virou réu por assédio sexual e moral contra uma policial penal subordinada. Redes Sociais/Reprodução O caso de assédio sexual e moral envolvendo o ex-diretor da Papuda chegou a ser recusado pelo próprio Ministério Público do Distrito Federal antes de, efetivamente, ser levado à Justiça. ➡️ Mayk Steve Richter Nobre é investigado por fazer investidas sexuais, pedir fotos íntimas e humilhar uma policial penal subordinada. O caso tramita em sigilo para preservar a identidade da vítima. Inicialmente, em janeiro de 2026, a promotoria responsável pediu o arquivamento do caso por entender que não havia provas suficientes do "constrangimento" necessário para caracterizar o crime. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. Crescem os números de processos e denúncias por assédio moral no trabalho Após recurso da vítima, porém, a decisão foi revista pela Câmara de Coordenação e Revisão da Ordem Jurídica Criminal do MP. A instância apontou indícios de assédio sexual e moral e criticou o entendimento inicial. A Justiça acabou aceitando a denúncia, e o ex-diretor passou a figurar como réu no processo. Em nota enviada ao g1 na manhã desta quarta-feira (29), a defesa do ex-diretor da Papuda negou a acusação de assédio e disse que sua inocência "será reconhecida". No entanto, em depoimento na delegacia, Mayk já "admitiu o pedido da fotografia e o teor das conversas, inclusive o relato de excitação fisiológica", segundo documentos do MP obtidos pelo g1. Caso arquivado – e desarquivado Na decisão de arquivamento, o MP considerou que a relação entre as partes apresentava elementos de proximidade e informalidade. “O histórico de amizade íntima, a informalidade recíproca, bem como a manutenção espontânea de vínculos sociais [...] introduzem dúvida razoável acerca da existência de efetiva coação”, afirmou a promotoria. O documento também apontou que, embora as condutas pudessem ser “reprováveis sob o prisma ético-administrativo”, não havia, naquele momento, segurança jurídica para enquadrar o caso como crime de assédio sexual. Ao reavaliar o caso, a Câmara de Revisão do Ministério Público discordou dessa interpretação. Para o colegiado, a existência de relação cordial não afasta a possibilidade de assédio, especialmente em contextos de hierarquia. O documento afirma que não há provas de consentimento da vítima e que ela “sempre se recusou” às investidas. Conversas apresentadas pelo Ministério Público mostram mensagens atribuídas ao ex-diretor da unidade com conteúdo de cunho sexual e respostas da vítima recusando as investidas. Reprodução A decisão também critica diretamente o entendimento anterior, classificando-o como “visivelmente equivocado”. “A alegação de vínculos sociais ou cordialidade recíproca não enseja dúvida razoável sobre o assédio sexual, tampouco sobre o assédio moral, ambos comprovados nos autos”, diz o texto. Em outro trecho, a Câmara afirma que a interpretação inicial pode refletir um problema estrutural: "o mais deprimente é que o machismo estrutural reina em todos os setores da sociedade, inclusive no Judiciário e no Ministério Público.” O caso foi enviado para outro promotor, que enquadrou o caso nos crimes de assédio sexual e constrangimento ilegal com intimidação sistemática. O órgão também pediu à Justiça a fixação de indenização mínima de R$ 50 mil por danos morais. O que diz a denúncia do MP Prints de conversas incluídos na denúncia mostram mensagens em que o então diretor faz comentários de teor íntimo e pede fotos à vítima, que responde pedindo que ele pare. Reprodução A denúncia destaca que o acusado teria se valido da condição de superior hierárquico para praticar as condutas e que a vítima estava diretamente subordinada a ele à época dos fatos. De acordo com o Ministério Público, os episódios ocorreram entre junho e dezembro de 2025. As investidas teriam começado quando o investigado, sem consentimento, massageou os ombros da vítima. Em uma conversa posterior, ele relembrou o episódio e afirmou que ficou sexualmente excitado. Em outra ocasião, após a vítima publicar uma foto com uma taça de vinho, o então diretor perguntou se ela já havia tomado banho. Diante da resposta negativa, disse: “então toma banho e me manda foto para me ajudar numa coisinha aqui” (veja acima). O MP afirma que, mesmo após várias negativas, o acusado insistiu nas investidas. Nas mensagens, a vítima responde: “Para com isso”, “Pelo amor de Deus, homem” e questiona: “Por que você tá agindo assim comigo? Eu nunca dei em cima de você”. Também consta na denúncia que o ex-diretor enviou uma imagem íntima e pediu que a vítima fizesse o mesmo. Ex-diretor da Papuda enviou foto íntima para a vítima. Reprodução Humilhações e perseguição Após a rejeição, o comportamento teria evoluído para episódios de constrangimento no trabalho. Segundo o MP, o então diretor passou a adotar condutas de intimidação, com gritos, cobranças públicas e ameaças administrativas. Segundo a denúncia, o acusado também criava obstáculos para que a vítima fizesse plantões de interesse e tentou impedi-la de usufruir da folga de aniversário, ameaçando dar “falta” caso não comparecesse. De acordo com o Ministério Público, as atitudes configuram não só assédio sexual, mas também assédio moral, com prejuízos à saúde emocional e ao ambiente de trabalho da servidora. O documento aponta ainda que a situação gerou boatos no ambiente de trabalho que prejudicaram a reputação da vítima, incluindo comentários de que ela seria “amante” do diretor. O que diz a Seape “A Secretaria de Administração Penitenciária (Seape) informa que, até a presente data, não foi formalmente comunicada pelo Poder Judiciário acerca do recebimento de denúncia envolvendo o referido servidor. Não obstante, tão logo teve conhecimento dos fatos consignados em ocorrência registrada em dezembro do ano passado, a Seape promoveu, em caráter preventivo, o afastamento do servidor de suas funções e instaurou procedimento administrativo com a finalidade de apurar as alegações apresentadas pelas partes. O processo administrativo segue em curso, sob sigilo.” O que diz a defesa de Mayk Steve "A defesa de MAYK STEVE RICHTER NOBRE vem a público esclarecer que as informações recentemente divulgadas não refletem a realidade dos fatos. Em respeito ao segredo de justiça que recai sobre o caso, não é possível prestar maiores esclarecimentos neste momento, sob pena de violação de normas legais. Todavia, a defesa reafirma que confia plenamente no regular andamento do processo e na atuação das instituições competentes, estando segura de que a verdade será devidamente apurada. Por fim, reitera-se o compromisso com a legalidade, com o direito de defesa e com o devido processo legal, confiando que, ao final, será reconhecida a inocência do Sr. Mayk Steve Richter Nobre". LEIA TAMBÉM: VEJA CANAIS: Como denunciar violência contra a mulher? MP QUESTIONA: Celina Leão muda logomarca do governo do DF Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

Fale Conosco