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Mudanças climáticas: pesquisa mostra como o aquecimento global pode afetar o DF no futuro

Céu do Distrito Federal, com pessoas em contraluz, em imagem de arquivo TV Globo/Reprodução ☀️⛈️🍃Dias mais quentes, menos chuvas, temporadas de es...

Mudanças climáticas: pesquisa mostra como o aquecimento global pode afetar o DF no futuro
Mudanças climáticas: pesquisa mostra como o aquecimento global pode afetar o DF no futuro (Foto: Reprodução)

Céu do Distrito Federal, com pessoas em contraluz, em imagem de arquivo TV Globo/Reprodução ☀️⛈️🍃Dias mais quentes, menos chuvas, temporadas de estiagem ainda mais secas e com tempestades fora do padrão. As mudanças de temperatura têm se intensificado nos últimos anos em todo o país, mas poucas capitais vêm se preparando para os efeitos do aquecimento global. Segundo o Painel Clima Brasil, do Tribunal de Contas da União (TCU), o Distrito Federal cumpriu apenas 3 dos 15 pilares para o enfrentamento às mudanças climáticas. A pesquisa faz um diagnóstico de como os estados e o DF estão se preparando para os fenômenos. O DF está abaixo dos estados em pelo menos um terço dos pilares considerados essenciais. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. E as consequências são ainda maiores que apenas a temperatura. Entenda, abaixo, quais impactos a população do Distrito Federal pode sentir nas próximas décadas. A fumaça dos incêndios florestais pode mudar o clima Justiça climática O coordenador do Laboratório de Climatologia Geográfica da UnB, Rafael Rodrigues Franca, afirma que as mudanças climáticas serão mais evidentes em regiões mais distantes da área central. Esse fenômeno é percebido em várias metrópoles mundo afora – mas exige que a sociedade e o poder público atuem para mitigar essa diferença. “Quem está no Plano Piloto vai enfrentar muito menos desafios do que quem está lá em Ceilândia, em Taguatinga, no Sol Nascente, em Samambaia. São regiões administrativas que não foram pensadas, não se criaram áreas verdes”, explica. No caso do DF, o Painel Clima Brasil deu uma das notas mais baixas justamente ao indicador de justiça climática, que avalia o cuidado dos governos com políticas ambientais para os mais vulneráveis. O DF, assim como 40% das capitais, não tem mapeamento das populações que mais são afetadas pelas mudanças climáticas. Justiça manda governo do DF e Ibram corrigirem omissões nas políticas climáticas da capital Alagamentos Essa "injustiça climática" apontada pelo indicador se manifesta de forma visível, por exemplo, no índice de alagamentos. Sem áreas verdes, como árvores e gramados, e sem redes de drenagem estruturadas, as regiões de menor poder aquisitivo estão menos preparadas para os fortes temporais – que tendem a ficar mais agressivos e mais frequentes com a crise climática. Chuva causa estragos em Vicente Pires, no DF, em 24 de março RELEMBRE: Enchente isola vias e atinge comércio em Ceilândia e São Sebastião após chuva forte no DF Além da absorção da água das chuvas, as árvores ajudam na redução de poluentes e temperatura das áreas urbanas por conta do fenômeno das "ilhas de calor". 🔍ENTENDA: a ilha de calor é um fenômeno climático urbano em que centros urbanos sofrem com maiores temperaturas em comparação com o ambiente rural, por conta do asfalto e concreto. Queimadas As mudanças climáticas, além de alterarem o regime de chuvas, também prolongam os períodos de estiagem, aumentando o risco de incêndios florestais. Até julho deste ano, o Distrito Federal registrou 2.707 ocorrências de incêndio, segundo dados do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF). Essa soma de fatores gera reflexos diretos para a saúde da população. Rafael Franca explica que os eventos extremos: favorecem o aumento da poluição do ar causada pelas queimadas; elevam o risco de doenças associadas às chuvas, como a leptospirose; ampliam problemas relacionados ao calor intenso, como hipertermia e desidratação. Ele também destaca os efeitos sobre a disseminação da dengue. “Se você tem temperaturas mais altas, [...], você também acelera a reprodução do mosquito vetor do mosquito. Então, ele vai se desenvolver mais rápido, o ciclo de reprodução dele fica muito mais acelerado e isso, sem dúvida alguma, impacta na transmissão dessas doenças, na ocorrência de maior número de casos. [...] É nesse cenário de mudança climática global. E é na área urbana que a dengue tem seu maior foco”, alerta Rafael. Bombeiros combatem 'paredão de fogo' no Parque do Tororó, no DF RELEMBRE: Casos de dengue aumentam quase 600% no DF; foram 440 mortes em 2024 Dados do Painel de Informações e Transparência da Saúde do DF (InfoSaúde-DF) mostram que, até 27 de agosto, as maiores taxas de incidência da doença por região administrativa de residência estavam concentradas fora do Plano Piloto. Os índices mais elevados foram registrados no Varjão, em Sol Nascente/Pôr do Sol e em Santa Maria. Governança climática no DF O relatório do Painel ClimaBrasil foi elaborado em parceria com o Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), que auditou a governança, as políticas públicas e o financiamento das ações voltadas ao enfrentamento das mudanças climáticas. O auditor do tribunal Dashiell Velasque da Costa afirma que os eixos analisados são fundamentais para que as ações saiam do papel. "Os pilares são a prioridade, eu diria, justamente porque são o passo que você precisa dar para poder começar a dar outros passos", explica. Segundo o painel, o Distrito Federal tem uma legislação avançada na área climática e inclui, no planejamento de governo, ações para mitigar os efeitos do aquecimento global. O que falta, no entanto, é orçamento para implementar essas medidas. "O DF elencou, como uma de suas preocupações ao estabelecer seu planejamento quadrienal, o enfrentamento das causas e dos efeitos da mudança do clima no DF [...]. Quando se analisam as LOAs de 2024 e 2025, não se encontrou expressamente ação orçamentária relacionada especificamente à política voltada à mudança do clima, o que foi confirmado pela equipe técnica da Sema em entrevista", destaca o relatório. De acordo com Dashiell, a questão do financiamento é hoje uma das maiores fragilidades das políticas climáticas no país. "A parte de financiamento carece de mais atenção. Acho que, dos três eixos, é o que está mais atrás, especialmente na parte do orçamento", afirma. Outro ponto destacado pela auditoria é o mapeamento de riscos climáticos, ferramenta utilizada para identificar áreas mais vulneráveis a eventos extremos, como enchentes e queimadas. Sobre o diagnóstico atual do Distrito Federal, o relatório conclui que ele é "genérico e não vincula ações específicas a cada risco identificado, sem prazos, responsáveis, recursos ou indicadores, o que limita a efetividade da gestão [...]". Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

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