Segurança de Bolsonaro inutilizou arma de fogo do ex-presidente para evitar riscos, diz defesa a Moraes
O ex-presidente Jair Bolsonaro em imagem na prisão domiciliar, em 2025 WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro reconheceu nes...
O ex-presidente Jair Bolsonaro em imagem na prisão domiciliar, em 2025 WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro reconheceu nesta quarta-feira (17) que o político pediu ajuda a um militar do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) para consertar uma arma de fogo registrada em seu nome. No documento enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), os advogados afirmam que a própria equipe de segurança de Bolsonaro tinha deixado a arma de fogo inoperante para evitar riscos, frente às condições de saúde mental do político. "[...] as medicações psiquiátricas que vinham sendo ministradas ao Peticionário [Jair Bolsonaro], capazes de afetar sua cognição — e que, inclusive, foram determinantes no episódio do rompimento da tornozeleira eletrônica —, levaram sua equipe de segurança, sem seu conhecimento prévio, a retirar o percussor da arma, tornando-a inoperante." ➡️Em 22 de novembro de 2025, durante outro período de prisão domiciliar, Bolsonaro tentou violar a tornozeleira eletrônica usando um ferro de solda. Na época, Bolsonaro alegou alucinação e "certa paranoia" possivelmente provocadas pelo uso de remédios. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. Moraes dá 24 horas para Bolsonaro esclarecer arma apreendida com militar Ainda segundo a defesa, Bolsonaro manipulou a arma, testou o disparo e constatou que "o mecanismo não estava funcionando regularmente". E, por isso, pediu que um dos militares que atuam na sua segurança pessoal levassem a pistola para o conserto. "A entrega do armamento teve por única finalidade buscar auxílio na identificação da falha e a realização da necessária manutenção", diz a defesa. LEIA TAMBÉM: Ainda de acordo com a explicação dos advogados, Bolsonaro não tem interesse na restituição da arma enquanto estiver em prisão domiciliar. Carro não foi revistado porque não entrou na casa de Bolsonaro, diz PM Bolsonaro pode manter armas, mesmo em prisão domiciliar? Entenda o que diz a lei Glock 9mm: qual é e como funciona o modelo da arma de Bolsonaro apreendida no DF Apreensão em blitz A arma – uma pistola Glock 9mm – seria levada para o reparo, mas foi apreendida durante uma blitz da Polícia Militar em Brasília na última segunda-feira (15). Uma consulta ao sistema do Exército confirmou o registro no nome do ex-presidente. Apesar de ter documentação regular, a pistola foi recolhida pela Polícia Civil porque o Certificado de Registro de Arma de Fogo (Craf) não estava no veículo. O caso é investigado pela Polícia Civil do DF. ➡️O carro era dirigido pelo militar Estácio Leite da Silva Filho, vinculado ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e cedido à Casa Civil para atuar na segurança de Bolsonaro. ➡️O militar prestou depoimento e foi liberado. Ele afirmou à Polícia Civil que a arma estava sendo transportada porque precisava passar por reparos, e seria devolvida em seguida ao ex-presidente. 🔎 Bolsonaro cumpre atualmente uma pena de 27 anos e 3 meses de prisão. Desde o dia 24 de março deste ano, ele está sob prisão domiciliar humanitária, autorizada por Moraes por um prazo inicial de 90 dias, para que o ex-presidente se recupere de uma broncopneumonia. O que diz a PM "A Polícia Militar do Distrito Federal informa que, durante abordagem realizada na madrugada desta segunda-feira (15), na DF-001, Km 79, em frente ao Tag Park, em Taguatinga, um militar do Exército Brasileiro que conduzia veículo oficial foi encaminhado à 21ª Delegacia de Polícia após ser encontrada, além da arma institucional regularmente portada, uma segunda arma de fogo no interior do veículo. Durante a ocorrência, o abordado informou não possuir a documentação da segunda arma e declarou que o armamento pertenceria a terceiro. Diante dos fatos, a arma e o condutor foram conduzidos à 21ª DP. A identificação da propriedade, origem, regularidade e eventual vinculação da arma apreendida a qualquer pessoa dependerá da análise dos órgãos competentes, especialmente das autoridades responsáveis pela investigação." O que diz o GSI "Sobre o assunto, informamos que o GSI não realiza a segurança de ex-Presidentes, incluindo o senhor Jair Messias Bolsonaro. Os servidores à disposição dos ex-Presidentes são de livre indicação dos mesmos e não estão subordinados nem vinculados operacionalmente ao GSI, conforme dispõem a Lei Nº 7.474, de 8 de maio de 1986, e o Decreto Nº 6.381, de 27 de fevereiro de 2008. Informamos ainda que, de acordo com o decreto supramencionado, o GSI oferece a capacitação e a avaliação de servidores e de condutores de veículos, que integram a segurança dos ex-Presidentes da República. (Portaria GSI/PR Nº 136, de 20 de setembro de 2024)."